Review – Final Fantasy XIII (PS3)

A franquia Final Fantasy está ai há mais de 20 anos, mas poucos de seus jogos tiveram uma repercussão tão ambígua quanto o décimo terceiro da série principal. Há um equilíbrio curioso entre pessoas que se referem ao game como a maior catástrofe produzida por Yoshinori Kitase e sua turma e aqueles que idolatram-no.

Esse equilíbrio não é em vão: Final Fantasy XIII é cheio de altos e baixos, que se alteram bastante dependendo de quem está na frente da televisão. Por isso já justifico que será difícil manter a imparcialidade, e já recomendo que todos joguem algumas horas só para ter uma opinião formada. Dito isso, vamos ao que interessa.

Final Fantasy XIII
Desenvolvedora: Square Enix
Publisher: Square Enix
Plataforma: PlayStation 3 (versão analisada), Xbox 360

Quando fora lançado, FFXIII não tinha apenas a missão de fazer a franquia tomar um ar novo depois do baque que foi X-2 e XI, mas também de fazer bonito na estreia offline de Final Fantasy nos consoles da Microsoft.

No quesito gráfico ele definitivamente alcançou o esperado, mesmo recebendo limitações técnicas no Xbox 360. Cada cena do jogo foi feita para mostrar que os consoles dessa geração são bem poderosos e um bocado melhores que os anteriores e o Wii.

Os personagens e inimigos, ambos com aquele estilo meio louco da série, têm traços suficientemente incríveis para deixar os nostálgicos boquiabertos e pensando “há algum tempo atrás esse bicho era um emaranhado de pixels”.

A mesma perfeição é aplicada nos mapas, cheios de monumentos e cores brilhantes para chamar a atenção do mais cego da família, mas é ai que os problemas tem início. Não, ninguém teve um ataque epilético enquanto jogava, o lado negativo está na linearidade desses mapas.

Durante umas 20h de gameplay (até o capítulo 11) não há mais de um caminho para se seguir, e, se existe, ele dura no máximo cinco segundos para ser percorrido. O trajeto principal é quase sempre comprido e estreito, e é bem complicado escapar dos bichos ou guardas que ficam de ronda.

A partir dai, a ladeira passa a ficar bem mais íngreme para Final Fantasy XIII. Mesmo enfrentando tantos inimigos no caminho, vira e mexe é necessário grindar um pouco para conseguir enfrentar um boss ou algum monstro mais complicado, e essa dificuldade cresce exponencialmente.

Uma vez li um texto que dizia algo muito interessante sobre duração de jogos: não adianta um ter 40 horas de gameplay se 20 delas o jogador passa treinando seus personagens. Apertar um botão sem parar só para ganhar um pouco de experiência é muito fácil e degrada muito mais um game do que ajuda, ou existe alguém que gosta de ficar grindando level no single player?

Antes de continuar, é preciso abrir um parêntese para explicar como funciona o sistema de níveis. Existem seis classes diferentes que um char pode optar, mas ao invés de escolher uma para todo o jogo, é possível trocar entre elas a qualquer hora, inclusive dentro de batalhas. Um exemplo rápido: o jogo começa com dois personagens de Synergist para dar buffs e um de Saboteur para chamar a atenção do inimigo, e após os buffs estarem completos, eles mudam para um de Commando e um de Ravenger (ambos ataque) e um Medic.

Isso permite uma gama enorme de estratégias, mas não é tão fácil sustentar várias classes em um mesmo char como parece. Ao término de uma batalha os monstros dão a boa e velha experiência, que agora chama-se CP, e é gasta num esquema chamado Crystarium, um substituto para os níveis.

O Crystarium é composto de uma árvore (vide figura) para cada classe, cada uma com um caminho e vários pontos nele. Quando o jogador gasta CPs suficientes para alcançar um ponto, o personagem engloba o que está descrito no ponto, seja um bônus de status (HP, Strenght e Magic) ou uma habilidade nova. Vale destacar que os status ganhos em qualquer árvore são adicionados ao personagem na hora, mas as habilidades só funcionam com a classe em que foram liberadas.

Sabendo disso, é só admitir que quanto mais avançado está o Crystarium, mais pontos são precisos para conseguir avançar, e, consequentemente, mais tempo de grind. Jogar aos poucos pode ser uma opção, mas quem pretende ficar horas seguidas com o controle em mãos terá que ter paciência, principalmente após o capítulo 11, quando algumas lutas passam a durar mais de 10 minutos.

Apesar de parecer um pouco desanimador, Final Fantasy XIII compensa com a diversão que é ficar trocando de classes durante a batalha. É meio complicado decidir de início quais personagens pegar e quais classes usar, mas com um pouco de prática e uma tática pronta na cabeça fica até que bacana espancar soldados e tartarugas monumentais, principalmente as tartarugas monumentais. Bom, chega de falar bem do jogo antes que ele fique confiante demais.

O último ponto que vale a pena ser mencionado é a história, que segue a mesma ambiguidade de todo o resto do game. O que melhor explica esse fato é a suposição de que o roteirista estava muito louco de ácido quando pegou seu lápis para escrever o texto de FFXIII.

Logo de cara já temos uma ruiva desconhecida dando trabalho aos guardas de uma nave, aparentemente de prisioneiros, primeiro com seus pés, passando para uma arma, uma metralhadora e um lança foguetes. Um pouco de jogo de verdade e volta-se a cutscenes, e a ação e o mistério continuam quando muda-se de personagem para um loiro desconhecido.

Isso perdura por todo o capítulo 1, e pelo 2, e pelo 3 etc, até que chega uma hora que começa a cansar a mente de tanta informação nova que chega e não é explicada. Falaram tantas vezes seguidas de l’Cie, Fal’Cie, Cocoon, Pulse sem dar uma definição de cada um que eu fui ler o enredo de FFXII para ver se eu tinha perdido alguma coisa. Spoiler: não tinha.

Essa loucura é levada também aos personagens: Snow, o herói que pensa que é deus; Lightning, a heroína mal-humorada; Sazh, o negão que ninguém consegue escrever o nome corretamente; Vanille, a random do grupo; e Hope, o fardo completamente irritante do grupo.

Assim como o efeito das drogas vão passando com o tempo, o enredo passa a ser cada vez menos chato, até um ponto que acham uma vaga para Vanille e Sazh, surge uma nova personagem bem bacana, Fang, e Hope para de reclamar a cada instante e vira o menino corajoso e com esperança (pegaram essa?). Pena que esse progresso demora 15 horas para acontecer, que foram divididas em quase um ano para mim.

VEREDITO FINAL:

Final Fantasy XIII não é nem de longe o melhor jogo analisado aqui no blog, e nem tentem entender como a Famitsu dá 39/40 para ele. É uma boa experiência para quem estiver sem fazer nada e gostar muito de RPG e ação, tem seus pontos positivos, mas não é motivo nem para começar FFXIII-2: vídeos e playthroughs no Youtube já dão background suficiente.

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.