Review – Knights of Pen and Paper +1 Edition

Achar bons jogos de RPG atualmente é uma tarefa árdua. O estilo cada vez encontra-se mais saturado no mercado e quando vemos algum lançamento, ou o jogo não presta ou é um port/remake/versão remasterizada. Uma alternativa viável – se você possuir amigos para te acompanhar – é investir nos famosos “RPG’s de mesa”. Dungeons and Dragons e Vampiro – A Máscara são apenas duas excelentes opções das várias que o jogador pode escolher.

Mas o que se fazer caso falte dinheiro e, o principal, amigos para te acompanhar nessas novas aventuras? A resposta para essa pergunta é Knights of Pen and Paper, um excelente título para PC que mistura o estilo de jogatina clássica “papel e caneta” com a virtual. E o resultado? Não poderia ser melhor!

Knights of Pen and Paper
Desenvolvedora: Behold Studios
Publisher: Behold Studios
Plataforma: PC (versão analisada), Android, iOS

Confesso que quando soube do lançamento do jogo criei um hype na minha cabeça sobre algo totalmente diferente. Passei os olhos em alguns reviews e via algo a respeito de um mestre, jogadores e que se parecia um RPG de mesa. Somando as imagens do sistema de batalha e a opção de customização do cenário, achava que fosse um jogo totalmente multiplayer, onde um grupo de pessoas se conectava a uma sala e uma delas agia como “mestre” da jogatina. Meio que uma mistura de RPG Maker com RPG 2ic, entendem?

Sem nem me atentar ao fato de que esse tipo de coisa seria praticamente impossível num aparelho celular, coloquei as mãos na versão de PC e logo descobri que o jogo era totalmente single-player. A decepção foi grande. Tudo que eu acreditava havia caído por terra. Se o jogo não era o que eu pensava, o que mais poderia ser? E a resposta veio, trazendo junto uma imensa satisfação. Apesar de não ser aquilo que eu esperava, o jogo era como um RPG qualquer: com uma história, tendo começo, meio e fim pré-definidos. O que diferencia o título dos outros jogos é a maneira como ele foi produzido; as inúmeras – e hilárias – referências a outros fatos, personagens e jogos, o enredo e sua jogabilidade extremamente simples.

A primeira coisa que devemos saber é que o jogo é brasileiro.  Ponto positivo para a Behold Studios, empresa desenvolvedora do game, que disponibilizou o mesmo em cinco idiomas, incluindo o português-brasileiro. Apesar da frase ser um pouco contraditória, “já que se o jogo é brasileiro lógico que ele é em PT-BR”, podemos pegar como exemplo o jogo Mr. Bree, da TawStudios. A empresa – que também é  brasileira – não disponibilizou o jogo para o nosso idioma, mas isso é outra história…

Como dito antes, o jogo é um prato cheio de referências, contando com a presença do ilustre Saci, passando por locais como uma montanha russa onde dizem ter um portal por lá até a Ilha Steam. Sim, nada de indiretas aqui. Com bons diálogos e quests um tanto quanto absurdas, o enredo vai se desenrolando. Falando nele, a premissa é essa: o que aconteceria se a partida de RPG deixasse a imaginação do mestre e invadisse a vida real? É o que estou tentando evitar até o momento que esse artigo é escrito.

Sabemos que o jogo foi um port melhorado da versão lançada para aparelhos celulares, por isso os controles foram desenvolvidos de maneira simples e funcional. Sem a touchscreen, a versão de PC conta com o uso do mouse 100% do tempo. Seja para escolher a ação do personagem, utilizar algum item, vasculhar uma dungeon e até mesmo viajar para outras localidades, é com ele que você irá lidar todos os momentos. Esse fator apenas aumenta o charme que o jogo possui, mostrando mais uma vez que não são necessários comandos complexos para termos uma ótima experiência de jogatina. Clicou, foi! E, sim, a experiência de comer um salgadinho sem risco de sujar tudo é algo sem precedentes.

Não sou programador, apesar de já ter passado horas tentando configurar uma calculadora em C# para a faculdade, mas acredito que fazer um jogo com gráficos da era 16-bits seja muito mais fácil. A Behold Studios conseguiu explorar muito bem toda a beleza dessa época, coisa que vemos claramente nos nossos monitores. Cada cenário é único, assim como todos os monstros enfrentados. Não pense que você achará sprites iguais apenas com cores diferentes que determinam a periculosidade do inimigo enfrentado. A empresa foi muito caprichosa ao pensar nesses detalhes, o que tornou a experiência muito mais agradável. Aliás, mais um ponto pra ela devido a sua originalidade e criatividade. Com certeza os jogadores darão muitas gargalhadas devido a certos monstros encontrados e alguns easter-eggs escondidos nos cenários.

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Eu já não vi esses monstros em algum lugar?

Ao começar a jogatina, o Mestre perguntará quantos personagens e classes o jogador quer utilizar para começar sua aventura. No principio apenas podemos criar dois deles e conforme evoluímos aumentamos esse número pra 5. As opções começam a surgir daí, onde temos várias possibilidades de criação. Em RPG’s convencionais, somos instruídos a escolher uma classe e raça. Em KoPaP, as raças foram substituídas por personalidades, digamos assim. As classes iniciais são: Mago, Ladrão, Clérigo, Druida, Guerreiro, Paladino, tendo mais 6 para desbloquear. Sobre as personalidades, citarei algumas: Hipster – não poderia faltar -, Motoboy (WTF), Vovó, Woofie, entre outras… Cada uma delas tem uma habilidade passiva única, portanto escolham com cuidado! Personagens criados, hora de correr pro abraço.

E onde sua jornada começa? Em uma masmorra, onde mais seria?! Com inúmeros clichês encontrados no jogo, sua fórmula é batida, porém engraçada a sua maneira: tem um cidadão atacado, derrote os monstros e ganhe itens e dinheiro. Temos que escoltar alguém? Viaje e no caminho derrote monstros para ganhar itens e dinheiro. O jogo – e praticamente toda sua economia – gira em torno desse “farm”. Acumular ouro é fundamental para comprar poções, itens – equipamentos e para customizar a sua jogatina – e até mesmo para viajar.

Aliás, falando nos itens, uma das coisas mais divertidas é comprar coisas novas para a campanha. Podemos comprar mesas, tapetes e até paredes para o jogo. Eu achava que era uma coisa totalmente estética, mas cada um desses objetos possui características únicas, como aumentar a XP obtida após uma batalha, aumentar o dano, a resistência etc…  Se você tiver cojones, empunhe suas espadas e escudos, quebre o pau e consiga tudo na raça. Agora se você for preguiçoso e/ou impaciente, a Behold Studios pensou em você e criou um sistema de “donate”. Amado por muitos e odiado pela maioria, a troca de dinheiro real pelo virtual é sim um caminho deveras mais fácil a ser percorrido para o progresso no jogo. Apesar d’eu ser totalmente contra isso – principalmente em MMORPG’s -, devo dizer que nesse caso os jogadores sérios não foram completamente desvalorizados. O mesmo ouro que se consegue dessa forma é obtido nas inúmeras batalhas e quests concluídas, e numa quantidade considerável. O donate nesse caso apenas poupará tempo, e não transformará os “riquinhos” em semi-deuses virtuais com itens privilegiados.

VEREDITO FINAL:

Como dito antes, o jogo foi lançado originalmente para celular, portanto não espere mil tipos de armas e armaduras – elas são pré-definidas para cada personagem e você deve upá-las no ferreiro – nem um sistema complexo de atributos. O que vale no jogo é a diversão instantânea, sua simplicidade e referências e nisso ele cumpre seu papel de maneira magistral. Curioso é ter 25+ horas de jogo  e ainda sim não o ter terminado ainda.

notaKoPP

About Kaio Rodrigues

Único sobrevivente dessa página maravilhosa chamada PlayerTwo.com.br, junto com o fundador. Amante de jogos independentes de fan-made, passo parte do meu tempo sonhando em um dia ser jornalista de games.