Análise – Metal Gear Solid 5: The Phantom Pain (PS4)

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As primeiras imagens são reveladas através da perspectiva de um homem acordando em uma cama de hospital. Sua visão ainda é embaçada, provavelmente devido ao longo tempo o qual seus olhos estiveram fechados e no fundo é possível ouvir uma versão de “The Man Who Sold The World” de David Bowie. Pequenos movimentos são executados, porém são o suficiente para chamar a atenção de uma enfermeira que por ali passava. A mesma chama um médico que trás notícias arrasadoras: você esteve desacordado por 9 anos, haviam fragmentos de uma explosão por todo seu corpo e sua mão havia sido amputada.

“V has come to”. E como. O episódio final de uma das séries mais antigas da história do video game finalmente chegou ao público, conquistando fãs novos e reconquistando os antigos. Em seu “último” capítulo da série, Hideo Kojima entregou mais do que um jogo, The Phantom Pain chega a ser a obra de sua vida.

Desde o primeiro momento de controle percebe-se uma mudança na forma como tudo é abordado em comparação aos títulos anteriores, desde a narrativa até a forma como o jogador é introduzido ao mundo que o cerca. A novidade maior é, sem dúvidas, a liberdade e as opções de como a jogatina é feita, tudo graças ao mundo aberto e aos infinitos modos de se executar uma mesma infiltração ou invasão.

É seguro dizer que a linearidade deixou de ser o foco em The Phantom Pain, assim como as famosas “cutscenes” longas que a franquia carregava. Porém de forma alguma isso é ruim, a história continua sendo densa e complexa, mas foi passada para segundo plano, dando espaço ao gameplay fluído e mais dinâmico. Agora cabe ao jogador buscar diálogos entre os personagens para entender os motivos de suas ações.

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O mundo aberto também impressiona e chega a ser assustador em certos aspectos. A liberdade que para agir e interagir com o cenário pode intimidar o jogador não acostumado com o estilo. Os detalhes e nuances das dunas em desertos ou das árvores em florestas mostram o empenho e esmero dos desenvolvedores em trazer uma experiência de encher os olhos ao jogador.

Mas deixando um pouco de lado a parte técnica, falemos da narrativa e temática. Como já dito antes, The Phantom Pain narra Big Boss deixa de lutar por sua organização e começa a se corromper em busca de um Metal Gear de uso próprio, além de explicar as origens e declínio de outros personagens, como Revolver Ocelot e Kazuhira Miller.

As intenções de Kojima nesse game ficaram bem claras: que o jogador se sentisse no lugar de Big Boss e sentisse o peso de suas decisões, uma vez que cabia ao jogador decidir o rumo da história em alguns momentos. Isso também fica evidente na forma como mensagens são transmitidas ao protagonista, sem contar necessariamente com sua reação à elas. Isso tudo apela ao emocional do jogador e acaba por criar uma afinidade muito grande com certo personagens e situações.

O capítulo final sempre é o mais doloroso, principalmente para os fãs e mais do que nunca as palavras de Big Boss fazem sentido: “Even in death we are Diamond Dogs”. Mas é possível dizer com segurança que esse foi o mais importante e de maior destaque em quase 20 anos de histórias e sentimentos gravados na mente de milhões de jogadores. The Phantom Pain veio para conquistar a todo tipo de público, desde aqueles que procuram uma jogatina repleta de explosões e ação até os que procuram caminhar pelas sombras.