Review – The Cave (PC)

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Maniac Mansion foi um marco na história dos jogos: além de ser um graphic adventure muito bom e dificílimo, ele praticamente firmou a Lucasfilms também como uma produtora de games. Foi a partir dele e da sua engine SCUMM que tivemos o nacimento de Full Throttle, The Secret of Monkey Island e vários outros clássicos dos point and click dos anos 80 e 90.

O que esperar então quando Tim Schafer, produtor de Full Throttle e agora dono da Double Fine, contrata Ron Gilbert, a mente por trás de MM, para fazer um adventure sidescroller com sete personagens únicos, onde apenas três podem ser escolhidos para ir numa aventura por uma caverna mágica, falante e um pouco degenerada? Bom, no mínimo algumas risadas e uns processos.

The Cave
Desenvolvedora: Double Fine Productions
Publisher: Sega
Plataforma: PC (versão analisada), PS3, Xbox 360, Wii U, Ouya

O conceito por trás de The Cave – uma caverna que instiga seus visitantes a mostrarem seu lado mais tenebroso – pode parecer mais um sonho maluco do que um jogo, mas ele não surgiu da noite para o dia: Gilbert conservou essa ideia por 20 anos, até ter essa oportunidade de executá-la. Todo esse tempo foi o suficiente para lapidar sua principal característica, o sarcasmo obscuro que ronda tudo que acontece dentro do narrador, literalmente dentro do narrador.

The Cave recebe esse nome não só por se passar numa caverna, mas também porque quem conta a história é a própria Caverna, que sabe a história de todos que se aventuram por seus corredores e possui neles as coisas que seus visitantes mais desejam na vida. Normalmente esses desejos são terríveis, como a morte de algum rival para tomar seu posto, e a onisciente narradora faz questão de destacar o quão grotesco são os atos de seus visitantes com um sarcasmo extremamente negro e divertido.

Como ninguém compartilha do conhecimento dela, excluindo a galera que curte um detonado, o jeito de aprender cada uma das histórias é colocando a mão na massa. Num total é necessário completar The Cave três vezes para ver cada personagem de perto, já que apenas três são escolhidos para jogar por vez, mas zerar tantas vezes é infernal.

Dos seis estágios nos quais o game é dividido, três deles são temáticos (um para cada personagem escolhido) e os outros três são gerais, não importa o número de vezes que for apertado o New Game, e ter que passar por eles mais de uma vez é bem desagradável. A repetição nem é tanto o problema, o que incomoda mesmo é que os movimentos são um pouco ruins: é horrível não poder controlar a intensidade do pulo e ficar brincando de pula-sela com as caixas, além de ter que ficar levando os três bonecos de um lado pro outro do mapa, um de cada vez, sem um botão de correr.

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Um modo de diminuir essa chatice é aproveitar o multiplayer local, que funciona razoavelmente bem, usando tanto com dois joysticks quanto com um controle e um teclado. Isso praticamente elimina a necessidade de ficar andando com a galera de um lado para o outro e ainda compartilha as risadas que o game rende.

Outra sugestão, para quem não tem joysticks ou amigos, é ir direto nos melhores protagonistas para jogar. A aventureira é a mais completa, com puzzles muito interessantes, cenário bonito e uma parte hilária na história. Logo depois vêm os gêmeos, que contam com o mapa mais bonito do game, seguidos da cientista e a  carnificina que a segue.

Por mais perfeitos que os enredos acabam se desenrolando, parece que a realidade não é bem assim. Durante o gameplay estão espalhados vários símbolos nas paredes, que representam uma imagem da história de verdade do personagem como aconteceu fora da caverna, e, bom, a verdade dói (e em alguns deles mais do que em outros). No entanto, elas não adicionam tanto assim à jogabilidade, já que ao terminar o game o “álbum” de figuras é totalmente liberado, e esse acaba sendo o grande problema por traz de The Cave.

Há uma necessidade enorme da Double Fine de estender o máximo possível o tempo de jogo, mas todos os pontos explorados para isso falharam. As mecânicas ruins anulam a vontade de ficar andando de uma ponta a outra do mapa com vários personagens por mais de uma vez; as histórias são ótimas, mas os estágios gerais aumentam bastante o fator replay; não são pinturas nas paredes que fazem um game se prolongar, não quando elas são entregues de bandeja ao terminá-lo.

VEREDITO FINAL

The Cave não é um game ruim, longe disso. Suas qualidades se sobressaem durante a primeira jogada só não foi feito para se jogar duas vezes, e o youtube está sempre ai para mostrar a história dos outros personagens.

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About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.