Corra, os speedruns vêm ai!

Vocêprovavelmentejádevetervistoemalgumdeseusjogosummododejogochamado
“TimeAttack”,certo?Ummodosimplesquetemcomoobjetivodesafiarojogador,podendotorná-locompetitivo.
Sercompetitivonemsemprequerdizerseromelhoremalgumacoisa.
Podemuitobemseropior.Ounessecaso:omaisrápido!
Acompetitividadevaimuitoalémdehighscoreseexistempessoasqueconseguemmes
clarapressacomaperfeição.
Étendoestepensamentoqueinúmerosvídeosbombamnainternetmostrandojogos-geralmentehardcores-sendoterminadosemcurtíssimotempo,fazendocomquepareçamsimples.
Eéjustamenteissoquetrataremosnesseartigo.

Se você teve a paciência – além de achar que eu estava bêbado no momento que escrevia isso – para tentar entender o que está escrito no parágrafo acima já tem uma noção que esperar nas próximas linhas. Caso tenha pulado e veio conferir se os demais estavam devidamente formatados, saiba que aquilo foi um exemplo do que podemos chamar de Speedun!

Numa tradução não literal, podemos dizer que o termo Speedrun significa “a toda velocidade”. O objetivo é claro: completar os desafios – no caso, fechar um game – da maneira mais rápida possível, seja usando o próprio suor ou apelando para bugs, save states (no caso de emuladores, é uma ferramenta que permite salvar o progresso em qualquer ponto da jogatina) e até mesmo o uso de câmeras-lentas. A prática do Speedrunning é bastante popular entre os gamers de plantão e não se limita apenas a jogos de aventura; vemos isso em qualquer estilo, seja corrida, shooter e até mesmo em RPG’s.

A história por trás da prática dessa “atividade” não tem uma data definida. Ela provavelmente deve ter começado quando a integrantes de  fóruns de discussões a respeito de jogos debatiam sobre os mesmos. Desde então esse estilo – se é que podemos chamar assim – de jogatina se popularizou e hoje é a meta de muitos. Indo além, podemos categorizar a maneira como é feito um Speedrun. São elas: quebra de sequência, planejamento de rotas, uso de glitch/bugs e a famosa Tool-assisted (assistência por ferramentas).

Planejamento de Rotas tem seu nome auto-explicativo. O caminho percorrido é previamente estudado para que haja melhor aproveitamento dos elementos encontrados nele. Não que seja o jeito mais fácil, mas é apropriado quando se está começando. O uso de glitch/bugs já requer do jogador um conhecimento mais aprofundado do jogo em questão, pois nesse caso será utilizado uma falha de programação existente no game. Isso é encontrado em quaisquer títulos – sejam velhos ou atuais -, mas não é sempre que podemos usar isso a nosso favor. Geralmente esse tipo de coisa existe para nos atrapalhar.

De todos os modos citados, com certeza o mais curioso é a quebra de sequência. Geralmente encontramos ao longo da jogatina situações que precisam ser executadas antes de prosseguirmos no jogo. Seja pegando algum item necessário, conversando com algum personagem ou qualquer que seja a situação, em certos jogos é possível burlar tais “obrigações” para que se alcance determinados eventos de maneira mais rápida. E por último, mas não menos importante, temos o modo Tool-assisted (TAS). Como dito, ferramentas que auxiliam o jogador a progredir são utilizadas sem o menor peso na consciência. Aqui vale de tudo: slowmotion (fazer com que o game fique em câmera lenta), mudar objetos de lugar etc. Se você assistir um vídeo onde o personagem executa movimentos milimétricos pode apostar que de alguma maneira a pessoas que o gravou não era tão boa quanto parecia.

Apesar de não agradar a todos, ser o mais rápido, no mundo dos games, tem suas recompensas. Se olharmos para a atualidade vemos que várias conquistas no PS3/360 são atreladas a velocidade. Desde antes do sistema de troféus existir alguns jogos já recompensavam o jogador de alguma maneira. Como exemplos clássicos temos o Super Metroid (SNES) que presenteava os apressadinhos que fechavam o jogo rapidamente com uma foto da Samus sem armadura, e Final Fantasy IX, que para conseguir a melhor arma para o personagem Steiner, era necessário alcançar uma determinada dungeon no jogo, que só era alcançada no 4º disco – em menos de 12 horas.

Como vimos nem sempre a pressa é inimiga da perfeição. Aliás, para quem curte essa prática, existe um site que somente transmite streams em que jogadores realizam o speedrunning, chamado SpeedRunsLive! Finalizo o artigo deixando para os nossos queridos leitores alguns vídeos que exemplificarão os tipos de Speedrun citados. Só não façam como eu de cair na besteira de tentar terminar o Ninja Gaiden (SNES) a toda  velocidade.

Plus: A título de curiosidade, deixo algumas marcas de tempo que são consideradas as menores no mundo dos games. Se todas são reais eu não sei, só sei que são incríveis:

  • Super Mario 64: Fechado com 120 estrelas em 1:44:01 por Michael “Siglemic” Sigler.
  • The Legend of Zelda: Ocarina of Time: Versão japonesa fechada, com o auxílio de um bug, em 00:21:18 por “Pydoyks”.
  • Super Mario Bros. 3: Fechado com a utilização dos famosos warps (portais) – que pulam mundos -, em 00:10:48 por Freddy Andersson.
  • Megaman: Fechado em 00:23:58 por Trevor Seguin.
  • Metroid: Fechado em 00:15:35 por “prophet22”

About Kaio Rodrigues

Único sobrevivente dessa página maravilhosa chamada PlayerTwo.com.br, junto com o fundador. Amante de jogos independentes de fan-made, passo parte do meu tempo sonhando em um dia ser jornalista de games.