Steam precisará se provar em 2016

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Se você se achou sortudo por começar o ano ganhando 15 reais na quadra da Mega Sena, a Valve tem que comemorar como se conseguisse o prêmio principal. No dia 3 de Janeiro, o Steam conseguiu bater seu recorde de usuários ativos simultaneamente, com mais de 12 milhões de pessoas online nos aplicativos e no navegador.

Essa marca, no entanto, chega uma semana depois do maior bug que o sistema já teve: durante 90 minutos, era possível acessar dados como histórico de compras, email, ID do PayPal e até endereço de usuários aleatórios. O problema aconteceu por uma bagunça no cache após um ataque DoS*, ou seja, essas páginas eram geradas para outros usuários, mas o ataque sobrecarregou o sistema terceirizado de cache do Steam, que começou a enviar uma página qualquer a quem fizesse um pedido. Quem usa a loja precisou esperar quase uma semana para que fosse explicado o motivo por traz do problema, já que a empresa não se manifestava por nenhum meio conhecido.

Ainda que não fosse possível realizar compras ou pegar usuário e senha de login, é responsabilidade legal da Valve manter em segurança quaisquer dados que ela tenha sobre uma pessoa. Isso porque as informações expostas podem ser usadas para pequenos trotes, como pedir pizza para um endereço obtido, ou até fraudes nas contas de PayPal e casos de swatting, o ato de enviar as forças especiais para um endereço privado alegando casos de sequestro e outros crimes graves.

Não bastasse essa situação, 2015 foi marcado por decisões duvidosas no Steam Greenlight. Criado inicialmente para desenvolvedores pequenos exporem seus jogos e usuários avaliarem quais são ou não dignos de subir à loja, não demorou muito para o sistema entrar em decadência, com Valve e desenvolvedores compartilhando da culpa.

Os únicos requisitos para começar no Greenlight são pagar uma taxa e ter pelo menos o conceito de um game. Se esse conceito não infringir nenhuma lei de direitos autorais, ou se nenhum dos três funcionários que cuidam da ferramenta descobrirem que infringe, ele está dentro.

A facilidade e a ineficiência da Valve para controlar um pouco o sistema criaram um ambiente lotado de conceitos falhos e jogos plagiados. Uma prática que se tornou comum é pegar um modelo de jogo da Unity, compilar e publicar como se fosse novidade – um deles até subiu para o Steam como Uncrowded. Não é difícil de imaginar, portanto, a quantidade de lixo que alguém deve varrer até achar um jogo que pareça valer o voto a favor.

Sem incentivo algum para os usuários se sujeitarem a esse trabalho todo, a queda no interesse e nos votos é constante desde 2013, em que era preciso ao menos 100 mil votos para chegar no Top 50. Para chegar nos 7000 sofridos necessários hoje, muitos devs prometem cópias grátis para quem ajudar a subir seu título, atitude que a Valve reprova, mas não se levanta para punir quem faz ou para evitar que aconteça.

É difícil encontrar uma razão para continuar com o Greenlight no seu modelo atual. Na verdade, é difícil conseguir comemorar um recorde de usuários quando se está envolto por problemas tão complicados. Pelo menos o Steam não tem um concorrente capaz de se aproveitar desses erros e fazer com que a Valve trabalhe um pouco para se levantar e entregar uma experiência melhor para seus clientes.

*Quer saber um pouco mais sobre um ataque DoS? Ouça nosso pequeno podcast, que aborda o assunto!

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.