The Cat Lady e um outro lado dos indie games

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Indie games… ah como nós os amamos. Divertidos, feitos de gamers pra gamers,  com propostas mirabolantes, histórias cativantes, puzzles, puzzles, puzzles e mais puzzles. Afinal, qual de nós não passou algumas horas nos divertindo em Minecraft, fazendo construções ou até mesmo retratos com bloquinhos coloridos? Ou passou um pouco de raiva com Super Meat Boy ou The Binding of Isaac? Mas, será que existem outras temáticas que podem ser exploradas? A resposta é sim, e o jogo The Cat Lady, produzido em 2012 pela Harverster Games é um grande exemplo disso, com temáticas pesadas, atmosfera escura e uma trilha sonora que se encaixa muito bem.

O jogo retrata a história de Susan Ashworth, uma mulher em seus quarenta anos, deprimida, sozinha e sem amigos. Suas únicas companhias são seus gatos, com quem ela divide suas tristezas. Não tendo mais por que viver, Susan decide tirar sua própria vida e deixa uma carta de suicídio.

Nela, escreve “[…] Hoje em dia, só confio em meus gatos e eu vou sentir falta deles… Mas eles irão compreender, como sempre. Teacup fica comigo até o final, me observando, como se ele soubesse… Por que essa noite eu tomei um monte de remédios. Eles são controlados, obviamente, prescritos por meu médico para ajudar com meus problemas para dormir. Mas eu tomei trinta e quatro deles, todos que eu consegui encontrar.  Agora o quarto gira ao meu redor em um tango borrado enquanto as batidas de meu coração diminuem. A qualquer segundo, eu estarei morta. Eu me sinto calma, pronta para isso. Eu só tenho uma coisa a dizer nesse momento: Obrigada por nada. Adeus.” Por aí, já dá para perceber que esse não é aquele tipo de jogo pra ser compartilhado na televisão da sua sala de estar. A partir daí, o jogo começa a desenvolver a sua proposta obscura.

Susan acorda em um campo, em um lugar que não se parece nem com o inferno ou com o paraíso. O cenário passa um sentimento misto: melancolia, ansiedade e talvez até um pouco de medo, mas ao mesmo tempo, paz e tranquilidade. As cores do campo e o céu com diferentes tons são, provavelmente, os principais responsáveis por isso. Após alguns puzzles e sustos, Susan adentra uma propriedade, habitada apenas por uma senhora. Susan questiona a senhora sobre sua identidade e ela apresenta-se como The Queen of the Maggots (A Rainha dos Vermes, numa tradução livre).

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A Rainha promete a vida que Susan tinha, porém livre de sua depressão e seus arrependimentos, em troca de eliminar cinco “parasitas”. Susan, então, pergunta por que ela foi escolhida para tal tarefa, uma vez que ela se diz uma fracassada e completa “[…] E eu odeio a todos, por que eles sabem como serem felizes. Pra todos os lugares que eu olho, eu vejo pessoas cheias de esperança e vontade de viver… ou pessoas tão desesperadas que me dá vergonha de viver. Eu não os quero, não existe ninguém pra mim. Eu estou sozinha. Eu só quero sumir.” A anciã explica qual o motivo de sua escolha: se Susan conseguir realizar a tarefa, ela nunca mais irá se sentir da forma como ela se sente. No entanto, Susan continua resistindo e pergunta à senhora o que a faz pensar que ela deseja voltar a viver. Nesse momento é possível questionar até onde a escolha do suicídio de Susan é realmente algo que não foi devidamente pensado e repensado por ela, até que ponto seria certo forçar com que ela volte a viver e sofrer, tendo uma segunda chance.

Com o passar do diálogo, Susan se vê forçada a aceitar a proposta da senhora, começando uma jornada para eliminar os tais parasitas. Não são dados detalhes de quem são eles, apenas que eles irão cruzar o caminho de Susan. Com o passar da narrativa, percebe-se quem são os parasitas e eles são intitulados como tal: cada parasita é, na realidade, um membro da sociedade, o pior que ela pode produzir.

Para se ter uma ideia de quem são eles, o primeiro mantém vítimas em seu porão para torturá-las e transformar o resto de seus corpos em cópias reais de obras de arte, como a Mona Lisa. Uma Mona Lisa feita com uma pessoa de verdade. Como se não bastasse, o parasita se diverte com a tortura das vítimas, dizendo que seus gritos são como música para seus ouvidos.

Certamente, existem outros jogos que tratam de temáticas como suicídio, depressão, valores morais, psicopatias e por aí vai, mas nenhum deles retrata com tantos detalhes e profundidade como The Cat Lady. Fica aí a recomendação de um indie game com uma proposta bastante diferente.

  • Marcio Roberto

    Esse game é perfeito, meu preferido. Recomendo também Downfall, do mesmo criador.

  • Marcio Harker

    Meu game preferido, de mudar sua vida…