A guerra pelos olhos das vítimas

thiswarodmine

Pela última década as desenvolvedores tem enchido as prateleiras com jogos de guerra similares: mantenha o tiro em primeira pessoa, troque a história de fundo, atualize um pouco o multiplayer e está tudo pronto para enviar às lojas. O 11 Bit Studios poderia ter continuado com essa corrente com sua franquia Anomaly, mas decidiu se aproximar do tema de uma forma diferente.

This War of Mine coloca o jogador no meio de um sítio a uma cidade devastada pela guerra civíl, não como um militar com tecnologia de ponta, mas vivendo o dia-a-dia de três habitantes do local que não conseguiram escapar e agora tentam sobreviver a qualquer custo, em meio a balas e explosões.

Durante o dia as ruas são observadas por snipers, tornando esta a melhor hora para construir e reparar, cozinhar e descansar no abrigo. O cenário muda completamente quando o sol se põe: a poeira abaixa e a cidade fica livre para ser explorada, e é chegada a hora de ir visitar outros locais em busca de suprimentos e materiais. Esse também é o momento em que a maioria das interações com outros sobreviventes acontece.

O jogo trata a humanidade de um jeito parecido com a de Papers, Please. É preciso cuidar das pessoas amadas, mas o que fazer quando duas crianças batem na sua porta pedindo por remédios para sua mãe? Um “não” pode salvar um pacote de medicamentos, ao mesmo tempo que deixa duas crianças sozinhas no meio de uma guerra. Além disso, os personagens têm sentimentos que desabrocham ao longo da história, expressados em suas Bios. Algumas ações podem trazer alegria e acender uma chama em suas almas, outras, deprimi-los até o ponto deles não darem mais valor à vida no meio de tanto caos.

É exatamente isso que torna This War of Mine tão bom, a profundidade no desenvolvimento dos personagens e como cada elemento, desde o som esporádico de tiros no fundo até as imagens embaçadas e escuras, contribuem para construir uma atmosfera onde você realmente se preocupa com a segurança desse pessoal. Jogos de guerra podem ser muito mais do que assassinato atrás de assassinato, e é ótimo ver um exemplo tão claro disso.

Esse texto foi preparado primeiramente em inglês, mas nunca foi publicado. A versão original pode ser lida abaixo:

thismid

For the last decade developers have been flooding the shelves with similar war games: keep the first person shooting going, change the background story, improve the multiplayer a bit and the next is ready for shipping. 11 Bit Studios could continue this chain with their Anomaly franchise, but decided to take a different approach around the topic.

This War of Mine puts you in the middle of a besieged city devastated by a civil war, not as a fully equipped military, but living the life of three inhabitants who couldn’t escape and are now bound to survive amongst the bullets and explosions.

The streets are guarded by snipers during the day, making it the time to craft essentials, cook and rest in the shelter. The scenario changes when the sun goes down: the city is free to explore, and that’s when you go scavenge other buildings and resupply. That’s when most of the interactions with other survivors takes place as well.

The game has a similar approach on humanity as Papers, Please. You have to take care of your beloved ones, but what do you do when two kids knock your door asking for medicine for their ill mother? A “no” could save a pack of meds, while putting two children alone in the midst of a war.

Furthermore, your characters have feelings that flourish along with the story, expressed by their Bios. Some actions may bring them joy and light some fire in their souls, others can depress them to a point where there is no meaning in living in this chaos.

That’s what makes This War of Mine so great, the depth in character development and how each element, from the sporadic sound of bullets on the background to the darker shades and blurred image, contribute to build an atmosphere where you really care about the safety of this people. War games are so much more than relentless killing, and it’s great to see an example of what they can really do.

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.