War & Warriors, a franquia que nunca existiu

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Atualmente disponível no Steam, War & Warriors: Joan of Arc completa mais de 11 anos de existência e há muito tempo conquistou uma posição de respeito na minha lista de jogos favoritos pela sua combinação de história, cenários belos, diferentes modos de batalhas e a liberdade em aprimorar as características dos personagens.

Desenvolvido pela Enlight Software, o game aparentava ser o inicio de uma franquia de jogos com características únicas para retratar guerras historicamente conhecidas, mas infelizmente ele acabou sendo o filho único de uma possível carreira promissora.

O jogo é bastante linear, tendo oito estágios no total onde são narradas a passagem de Joana de Chinon até a cidade de Reims, onde o delfim da França deverá ser coroado.
Embora possa se tornar meio chato você ter de limitar o jogo nessas 8 fases, os desenvolvedores tentam ajudar um pouco colocando side quests que acabam influenciando o andamento das batalhas, o que permite não só a chance de experimentar um pouco mais do jogo como também a sensação de bater no peito e dizer com toda a confiança “essa batalha foi vencida devido as minhas escolhas”.

Respire fundo e aprecie a paisagem

Sim, você está em campo de batalha tendo de cuidar da sua vida a cada segundo, cercado por inimigos e pelos cadáveres dos seus aliados, maaaas isso não te impede de observar o cenário, que convenhamos é muito do bonito. Um dos pontos fortes do jogo são os gráficos, tanto para as paisagens e construções das casas, igrejas e castelos, como também nas armaduras, armas e peças de cerco. Então, se você for o tipo de pessoa que sempre pensa no lado feliz da vida, pode colocar em mente que mesmo perdendo, ao menos aquele era um cenário bonito o bastante para morrer.

Customização também é um tema bem abrangente no jogo, pois você é livre para escolher quais atributos dos personagens deseja aumentar e quais skills prefere que ele domine, só não se esqueça de upar o HP deles também, pois somente o HP base significa morte instantânea nos níveis mais avançados (confie em mim eu passei por isso). Além dessa particularidade, você ainda pode decidir quais tropas cada general terá, o que permite que você tenha tropas somente de arqueiros, lanceiros, infantaria ou de armas de cerco e dessa forma juntar suas forças para vencer as batalhas.

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Inicialmente você é foçado a jogar somente no modo em 3ª pessoa com a Joana, tendo de sentir na pele o que é fazer frente no campo de batalha com pouco ou nenhum exército para lhe dar apoio. Porém, nos níveis posteriores, você deve utilizar de um sistema de Ação em Tempo Real (RTS) para comandar todo o exército em diferentes frontes, sugiro que análise qual seu propósito e escolha sabiamente como posicionar suas tropas, uma má decisão pode fazer você perder a guerra facilmente. Além disso você ainda pode alterar a câmera para 1ª pessoa (FPS) quando for utilizar armas de longo alcance, como é o caso das poderosas flechas explosivas.

Abrindo um pequeno adendo para os personagens do jogo, é realmente divertido jogar com os 4 generais (Joana D’Arc, Jean d’Metz, La Hire e Duque de Alençon) no modo em 3ª pessoa, pois cada um deles utiliza uma arma diferente com combos diferentes e inusitados, como é o caso do general La Hire que literalmente pula no meio das tropas inimigas para causar dano ao seu redor. Esses combos são facilmente adquiridos pelo sistema de upgrade de skills que eu citei mais acima, assim como também são facilmente executados combinando apenas os botões do mouse.

O destino desses generais irá resultar diretamente no final do jogo, em alguns níveis alguns generais simplesmente não podem morrer pois caso isso ocorra acarretará em um Game Over instantâneo, enquanto em outros casos você tanto perderá força importante no campo de batalha como também poderá pegar um Bad Ending ao final do jogo.

Bugs, te impedindo de vencer guerras desde 1429

Infelizmente a opção de RTS acaba tornando a aparição de bugs muito maior, ao comandar hordas de soldados para um mesmo objetivo as coisas ficam um pouquinho mais complicadas, principalmente se você estiver tentando invadir um castelo… com corredores estreitos… e tendo somente uma escadaria de acesso…

Ao retornar para o modo em 3ª pessoa você se depara preso entre seus próprios soldados, todos tentando passar pelo mesmo espaço e ao mesmo tempo, é como enfrentar um metrô medieval em horário de pico. Além disso, muitas vezes é possível que você perca um cavalo ou arma de cerco porque um soldado simplesmente decidiu morar dentro do objeto e agora ambos ficam presos pela lei da física naquele lugar. Conseguindo contornar isso, a situação fica um pouco mais fácil, pois a IA dos bosses é precária o bastante para virar tarefa simples prever a movimentação deles.

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Mas não se engane, isso apenas se aplica para confrontos 1 contra 1, ou melhor, quando só sobra o boss em pé no outro lado do campo e você e seus generais podem fazer uma rodinha punk contra o coitado. Mas para chegar a isso é preciso derrotar toda a horda de soldados que fica entre você e seu oponente, e todo mundo sabe que o exército inglês e borgonhês era muito maior do que os desesperados franceses.

As suas tropas serão o diferencial nesse tipo de situação. A não ser que você tenha focado seus atributos em HP e defesa de forma alguma faça frente no campo de batalha, é para isso que você tem infantaria no final das contas e sem soldados você não pode operar as armas de cerco, e nada é mais inútil do que um trabuco no meio do campo de batalha sem ter ninguém para o manusear.

O ponto negativo nisso está em os generais recuperam HP com o tempo enquanto as tropas continuam a carregar as feridas de batalha infinitamente, e como infelizmente não vai brotar um monge gritando “WOLOLO” para recuperar o HP deles você precisará lidar com isso. A única opção que o jogo oferece para evitar o falecimento veloz das suas tropas está na parte inferior do inventário, qualquer alimento que recupere HP e SP que for colocado ali será consumido por suas tropas quando eles estivem prestes a morrer, por isso é importante ter bastante dinheiro guardado para salvar sua vida e dos seus companheiros.

Ok, mas a história não é bem assim….

Realmente, o jogo acaba por enfeitar bem mais a vida militar da Joana do que foi de fato, adicionando embates que nunca aconteceram, mas é importante lembrar que a reconquista de Orléans e a limpeza dos soldados ingleses até a catedral em Reims de fato aconteceu e o jogo não deixa nada a desejar quando te coloca para enfrentar essas situações você mesmo.

Creio eu que, como forma para recompensar o jogador que se empenhou tanto em completar as missões e cuidar bem de seus aliados, o jogo acaba dando um Good Ending para ele, apresentando um final onde a Joana volta para casa e vive feliz para sempre, enquanto que é no Bad Ending que seu final verdadeiro é mostrado (vocês sabem… prisão, acusações de bruxaria, fogueira etc).

Independente do resultado final o charme do jogo está justamente na trajetória para o objetivo final e as dificuldades que você terá de enfrentar para alcançar ele,então se você é um amante das guerras medievais e tem interesse em comandar seu exército de formas diferentes definitivamente deveria dar uma chance para este jogo.