Por que a Microsoft anunciou dois consoles novos?

Com a E3 já distante de nós, podemos dar um passo para trás e olhar melhor o que aconteceu no evento. A Sony novamente se focou em anunciar e mostrar seus jogos de peso (parem de esperar por um Crash novo), a Nintendo conseguiu vencer a E3 com apenas um jogo e a Microsoft fez uma apresentação mais confusa do que aquela de dois anos atrás que só falaram de multimídia. Como a gente gosta de pegar no pé da MS, vamos nos aprofundar um pouco no anúncio de seus dois novos consoles e da sincronização entre Xbox One e Windows 10.

A Microsoft abriu sua conferência confirmando rumores recentes: o Xbox One vai ganhar uma versão menor e com algumas funcionalidades extras, chamada Xbox One S, o pior nome obsceno não proposital depois de Pokémon S&M. Essa é uma prática que é repetida em todas as gerações, mas hoje não é o dia de discutir se isso é bom ou não, e sim sobre o que aconteceu durante e no final da apresentação.

O Play Anywhere é um programa que recebeu muita atenção da MS, e faz com que jogos que tenham esse sistema fiquem disponíveis sem custo adicional para One e Windows 10, até compartilhando as mesmas informações de salvamento. We Happy Few, Recore, Scalebound, Forza Horizon 3 e Gears of War 4 são alguns dos nomes que poderão ser jogados nos dois sistemas com apenas uma compra.

Depois de uma hora repetindo a frase “exclusivo para Xbox One e Windows 10”, finalmente chega o final da conferência, com uma última surpresa: Project Scorpio. Scorpio será um novo console da família One, que rodará jogos em 4K, estará preparado para VR e terá alguns frooty loops (ou teraflops, algo assim). Seu lançamento deve ocorrer no final de 2017, aproximadamente um ano depois do One S, que sai em agosto de 2016.

Essa bomba de novidades de hardware deixou todo mundo um pouco confuso. O Xbox One tem problemas diversos de performance, onde muitas vezes não é possível rodar um jogo a 1080p e 60FPS, e o Xbox One S não parece ser capaz de solucionar esse problema, diferente do Scorpio. Qual será então seu papel? Ser uma versão menor e mais bonita do original enquanto o novo não chega?

A relação entre as plataformas da Microsoft também ficou um pouco confusa. A abordagem de ter vários consoles diferentes rodando um mesmo jogo, cada um com uma capacidade gráfica diferente, se aproxima do mercado mobile, com a diferença de um jogo de console custar 20x mais que um de celular. Até quando os jogos que saírem para o Scorpio serão 100% compatíveis com as versões menos potentes?

Por outro lado, a compatibilidade entre Xbox e Windows parece ser benéfica em todos os sentidos, e é até estranho que a MS só tenha procurado integrar as plataformas agora, considerando que ela é líder no PC há décadas. Essa é uma decisão que deve aumentar muito a procura pelo Windows 10, por usuários de outros OS ou de versões mais antigas do próprio Windows, atrás de aproveitar 100% os jogos possuídos no Xbox One (olá, mouse e teclado).

Algumas pessoas, no entanto, olham essa novidade como um divisor de águas negativo para os jogadores. Em poucas palavras, a Microsoft pode transformar o sistema de conpra e venda nos PCs em algo parecido com o mobile: tudo que for comercializado teria que passar pelo crivo da empresa, acabando com o dinamismo dos jogos para computador. Não vou me aprofundar muito, então quem se interessou pode ler mais no TecMundo, eles fizeram uma matéria bem completa sobre os possíveis malefícios da união Windows-Xbox.

About Luigi Olivieri

Membro fundador dessa página maravilhosa que chamamos de PlayerTwo.com.br. Mestre pokémon, fã de rogue-likes e tuiteiro de plantão.